Enquanto estiver participando, neste sábado, da sessão classificatória para o Toyota Grand Prix of Long Beach, o piloto brasileiro Helio Castroneves estará totalmente concentrado na tentativa de obter sua 34ª pole position na Indy. Mas, independentemente do resultado, este será um dia de fortes recordações, emoções e comemorações. Afinal, impossível esquecer que, há exatamente um ano, o pesadelo do julgamento na corte de Miami terminava com a voz serena do juiz Donald Graham proferindo: NO GUILTY! (Não culpado ou inocente).
Foi desta forma que se pronunciou o corpo de jurados do caso de suposta evasão fiscal, no qual Helio Castroneves, Katiucia Castroneves e o advogado norte-americano Alan Miller foram os réus. Havia sete processos contra eles e o veredito determinou a absolvição unânime para todos.
O único que não teve, naquela ocasião, uma posição conclusiva foi o de conspiração, mas esse foi cancelado de pronto pelo juiz Donald Graham por ter perdido o objeto, o sentido. A atitude do magistrado foi em decorrência de constatação óbvia. Como foram absolvidos nos outros seis casos, por óbvio não houve crime de conspiração. Tanto que a própria promotoria eliminou por completo esse último item dias depois, sepultando de forma definitiva o processo e sem que houvesse margem para uma eventual retomada futura.
Assim, os Castroneves e Miller deixaram a sala do tribunal do júri, em Miami, como sempre foram, ou seja, cidadãos livres e sem pendências com a Justiça de qualquer espécie. Mas o choro e a alegria pela absolvição de certa forma escondiam as cicatrizes que o ocorrido deixou em cada um deles.
Drama de grande intensidade
Foram quase seis meses na forma de provação para a família. Acusado de crimes contra o fisco norte-americano, Hélio Castroneves viveu o pior momento de sua vida, sempre tão repleta de sucesso e vitórias. De ídolo internacional do automobilismo e elevado à condição de celebridade nos Estados Unidos por tem vencido o reality show de maior audiência da televisão norte-americana (Dancing With The Stars), viu-se arrancado do pódio para os bancos dos réus por supostos crimes efetivamente não cometidos, como ficou comprovado após rumoroso e midiático julgamento.
Naquele outubro de 2008, quando ele e a irmã Katiucia, acorrentados como os assassinos em série que aparecem nos filmes policiais, foram indiciados, abria-se uma página de dor, sofrimento e incredulidade, encerrada há exatos 12 meses. O sofrimento de D. Sandra Alves de Castro Neves, do esposo Helio Castro Neves e dos filhos não pode ser mensurado, tamanha a intensidade.
Passar por esse período com dignidade só foi possível pela união e fé dos moradores da casa de Coral Gables. Houve instantes de choro revoltado pela injustiça, mas também inúmeras as ocasiões em que a serenidade da fé e, sobretudo, a certeza da inocência faziam com que os Castroneves buscassem forças para enfrentar tudo aquilo.
Inocência Reafirmada
Foram 47 dias de julgamento e a defesa dos Castroneves teve a condução dos advogados Roy Black e Howard Srebnick. Nesse período, enquanto Promotoria e Defesa se esmeravam para provas suas respectivas teses, diversas testemunhas passaram pelo plenário do júri, dentre eles muitos brasileiros que para Miami se deslocaram para prestar testemunho de idoneidade e correção do piloto e sua irmã.
Lá estiveram o ex-piloto e comentarista Eduardo Homem de Mello, o empresário Raul Seabra, o chefe de equipe Amir Nasr, a empresária Renata Pepe, a secretária Heloisa Azevedo, o perito em segurança José Salles, a advogada Marina Salles, o ex-juiz Dr. José Maria Costa e o jornalista Américo Teixeira jr.
Ao final daquela tarde, Castroneves seguiu direto do tribunal para o aeroporto. Roger Penske, sem que o piloto tivesse tido tempo ainda de avisá-lo do veredito, já estava informado e ligou para ele já na saída da Corte e disse, após parabenizá-lo pela vitória. O avião está te esperando aí no aeroporto e seu carro está aqui. Venha, pois estamos lhe esperando.
E foi no dia 17 de abril de 2009, absolvido e voando para a Califórnia que Helio Castroneves renasceu para sua carreira e as ruas de Long Beach, local da prova deste domingo, transformaram-se nesse grande março de um recomeço.

